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  • António Góis

Contributo para um Best Seller de Verão

Atualizado: Abr 8

Dois anos depois do furto do material de guerra dos paióis do Quartel de Tancos, parece que cada vez se sabe menos sobre o assunto.Um qualquer autor com olho para o mercado editorial, já poderia ter pegado no tema e escrito um bestseller.

O enredo é todo ele de suspense, cheio de voltas e reviravoltas, os personagens são sui generis, para não dizer que tocam mesmo o nonsense, todos eles com um fino perfil psicológico de fazer inveja ao mais erudito dos autores.


Mas… vamos por partes.


Arranje-se um título. Convêm que chame a atenção, algo grandioso como O grande assalto ao paiol de Tancos, mas por outro lado, Tropa fandanga também dá para o propósito e é mais curto.


Resolvido o problema do título, passemos ao enredo e aos personagens.


Através da comunicação social é anunciado que teve lugar um furto de material de guerra num dos paióis de um Quartel do Exército em Tancos. Inquirido pelos jornalistas, o responsável da Defesa Nacional é incapaz de dizer quando se deu o furto, quem foram os ladrões ou até qual o material que foi furtado. Anuncia uma investigação e nos dias seguintes são afastados 5 responsáveis militares para que não comprometam a investigação.


Os dias passam e anunciada investigação consegue descobrir… nada.


O responsável da Defesa Nacional vem à comunicação social dizer que, se calhar, coiso e tal, se calhar não houve furto nenhum.


Por esta altura, um jornal Espanhol faz um artigo sobre o assunto e publica uma lista com todo o material furtado.


Do lado de Portugal continua a investigar-se e a descobrir-se… nada.


E então de repente, dá-se a grande reviravolta no enredo.


Aborrecidos com a incompetência das autoridades, os ladrões decidem devolver o material e desligar-se de vez do assunto. Ligam então para a tropa, dizem onde está o material e pedem que o vão recolher se fazem favor.


Vai a tropa a toda a velocidade para o local, põe-se a contabilizar o arsenal, granada para cá, morteiro para lá, e eis senão quando de repente têm uma surpresa.


Alto lá e para o baile. Isto não dá certo. Vamos a nova contagem.


Contam e voltam a contar. O resultado é sempre o mesmo. Há material a mais que aquele que foi furtado. E agora? Como descalçar esta bota?


No dia seguinte vem escarrapachado na primeira página dos jornais:

«Assaltantes de Tancos devolvem material a mais».


Ora bem! Por esta altura, já se percebeu que embora o enredo esteja uma obra-prima, com personagens deste calibre não vamos lá. Está pois o barco encalhado.


É aqui que o autor vai ter que suar as estopinhas para dar a volta à coisa. Também, queria a papinha toda feita?


Invente-se então uma personagem que consiga levar o barco a bom porto. Vamos fugir ao estereótipo do detetive. Quem vai investigar o assunto é uma repórter de um canal televisivo. Uma loira vistosa, pode chamar-se Rita e trabalhar por exemplo para o canal 21. É ela quem vai deslindar toda esta caldeirada.


Por esta altura, os responsáveis do exército que haviam sido afastados foram novamente admitidos ao serviço sendo que alguns até foram promovidos. Foi feita também uma nova contagem e agora parece que afinal foram encontradas armas a menos que aquelas que foram furtadas.


Está pois a coisa neste pé quando a repórter entra em cena.


Investiga, investiga, entrevista para aqui conversa para acolá, e em breve começa a encontrar pistas. Alguém lhe dá uma dica, surge uma luz no fundo do túnel e a repórter encontra os malfeitores conseguindo até uma entrevista exclusiva com os mesmos.


Mas, o que aconteceu então aos ladrões e onde se encontram?


Desgostosos com a vida, e agastados por nem sequer terem sido perseguidos, a quadrilha de malfeitores entregou-se à religião e entraram todos para um mosteiro situado na Serra dos Candeeiros onde jejuam e pedem diariamente perdão a Deus por se terem metido com a tropa Portuguesa.

«Perdoai-nos Senhor! Nós não fazíamos ideia no que nos estava-mos a meter».


Pimba! Bestseller. Sucesso garantido.

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© 2020 por Escrita Criativa

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